Peneiras de futebol, verdadeiras máquinas de moer jovens.

Milhões de crianças e adolescentes no mundo sonham em se tornar jogadores profissionais de futebol e, para isso, submetem-se às “peneiras” de clubes, tanto dos famosos quanto dos que nem chegam a disputar campeonatos oficiais de qualquer
divisão, por mais baixa que seja.

Os pais de meninos ou meninas chegam a gastar imprudentemente suas economias para viajar centenas de quilômetros com seus filhos a fim de que se juntem a dezenas de outros jovens ao lado do campo. Ali ficam aguardando a ordem para, em poucos minutos, tentarem chamar a atenção dos organizadores da peneira e de olheiros, que buscam encontrar talento em algum deles. Acabam-se os poucos minutos e, tremendo de ansiedade, 99% dos que jogaram, não escutam os seus nomes como escolhidos para mais testes no clube. O organizador do evento agradece a participação deles e diz para não desanimarem e tentarem estar em novas peneiras. E é só.

Na volta para casa, sem saber porque não foi escolhido e menos ainda porque outros poucos foram, e sem ter recebido qualquer orientação sobre o que têm de consertar no seu jogo, esses meninos e meninas acabam de ter seu orgulho ferido para o restante de suas vidas.

Tem de haver outra solução menos traumatizante. O Grêmio, grande clube brasileiro que já foi até Campeão Mundial, anunciou publicamente que não faria mais a antiga peneira e que passaria a selecionar seus candidatos a ídolos exclusivamente por meio da análise por seus técnicos de vídeos dos jogadores, enviados ao clube. Parece que,
finalmente, vai existir a humanização da “máquina de moer” sonhos e jovens: está surgindo a era da peneira digital de futebol.